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“E daí?!” - Como o Governo Federal do Brasil vem administrando a crise gerada pela pandemia de covid 19

 Enquanto países do mundo todo vêm tentando unir forças para controlar a pandemia de COVID-19 e criar uma vacina contra a doença, o governo Bolsonaro anda na contramão de todos os esforços, negando a doença ou minimizando os seus efeitos.

Desde o primeiro caso confirmado no Brasil o presidente vem fazendo sistematicamente comentários negacionistas, promovendo ou incentivando aglomerações, autorizando medidas de reabertura do comércio antes de um controle mais eficaz da doença, e no campo do Ministério da Saúde é possível fazer uma lista de medidas antipopulares e “atrapalhadas” realizadas pelo Governo Federal:

  1.  16 de abril – Luiz Henrique Mandetta é demitido da pasta; 
  2. 11 de maio – Decreto libera, entre outras atividades, academias de ginástica e salões de beleza sem a anuência do então ministro, Nelson Teich; 
  3. 15 de maio – O Ministro Nelson Teich pede demissão após 29 dias na pasta; 
  4. 15 de maio – O ministro que assume interinamente a partir desta data é um militar, Eduardo Pazuello; 
  5. 31 de maio – EUA anunciam o envio de 2 milhões de doses de cloroquina para o Brasil em “apoio ao combate do corona vírus”. Enquanto o MS aumenta em mais de 400% a distribuição de cloroquina aos estados, reduz o envio de materiais importantes como testes e kits de proteção individual para profissionais de saúde; 
  6. 21 de outubro – Bolsonaro desautoriza o Ministro interino Eduardo Pazuello quanto à intenção de compra da Coronavac, vacina da chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã em fase de testes “por causa da sua origem”. Todas essas idas e vindas inviabilizaram a adoção de medidas coordenadas em todo o território nacional e criou um ambiente de confusão para a população, que não sabia se era para ficar em casa ou levar uma “vida normal”; enquanto isso o Brasil lidera junto com outros dois países o ranking de mortes acumuladas:

Acumulado de mortes confirmadas por  COVID-19 no mundo. Fonte: ourworldindata.org

Além dos impactos imediatos na saúde da população brasileira, com um acumulado de quase 6 milhões de casos confirmados e um total de 167.526 mortes por COVID-19 até a data de 19 de novembro (Dados do consórcio G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, com valores obtidos diretamente dos estados da Federação) , os principais e mais cruéis impactos da pandemia no país são de natureza econômica. Com o aumento do desemprego que vinha se agravando desde o início da crise política em 2016, milhões de pessoas que têm sua fonte de renda nas ruas se viram obrigadas a parar de trabalhar para cumprir o distanciamento social, sem ter qualquer fundo de garantia para se manter durante este período. A medida mitigadora mais importante nesse sentido foi o auxílio emergencial, a ajuda de custo no valor de R$600,00 que alcançou quase a metade da população brasileira e impediu muitas famílias de passar fome durante este período, mas que foi reduzida para R$300,00 em agosto. Mesmo com o auxílio, para muitas famílias a pandemia significou uma diminuição importante na renda.

Referências:

MOTA, Camilla Veras.'Cobre seu governador': qual a responsabilidade do governo federal no combate à pandemia?. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53244465

DESIDERI, Leonardo. Como o mundo vê a gestão da pandemia no Brasil e qual o impacto na imagem do país. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pandemia-gestao-brasil-repercussao-jornais-estrangeiros/

MADEIRO, Carlos. Os vaivéns de Bolsonaro com a ciência ao longo da pandemia de covid-19. https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/10/21/os-vaivens-de-bolsonaro-em-relacao-a-ciencia-no-ao-longo-da-pandemia.htm

ROUBICEK, Marcelo. Os dados do desemprego e a fragilidade do trabalho informal. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/08/06/Os-dados-do-desemprego-e-a-fragilidade-do-trabalho-informal

Gráfico e mapa: https://ourworldindata.org/coronavirus-data

Consórcio de veículos de imprensa: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/

BENITES, Afonso; JUCÁ, Beatriz; BORGES, Rodolfo. Mandetta é demitido por Bolsonaro. https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-04-16/mandetta-e-demitido-por-bolsonaro.html

Guilherme Mazui, Pedro Henrique Gomes e Roniara de Castilhos. Coronavírus: Bolsonaro inclui salão, barbearia e academia como 'atividades essenciais'. https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/11/coronavirus-bolsonaro-inclui-salao-barbearia-e-academia-como-atividades-essenciais.ghtml

G1. EUA anunciam envio de 2 milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/05/31/eua-anunciam-envio-de-2-milhoes-de-doses-de-cloroquina-ao-brasil.ghtml


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